Rapaz... a gente passa por muita coisa nessa vida. Talvez seja a vida que passa por muita gente... Quem sabe até sejam as coisas que passam por muitas vidas?! Enfim, o que voce já entendeu, é que a gente têm muitas certezas nessa vida. Na sua grande maioria - duvidosas, superficiais e insustentáveis, é verdade. Até mesmo inexpressivas! Mas são certezas, certamente - e, sendo assim, não há com o que implicar. Ou do que implicar. Se bem que... uma certeza implica muita coisa, não?
De certo, são noções que apresentam-se a nós em um dado momento de nossas vidas, convencem-nos de suas veracidades, instauram seu regime, absolutista – monarquia cujo rei representa o bem comum - e nos torna, seus subordinados. Peraí, subordinar-se à verdade não significa fazer tudo que ela manda! Significa ser disciplinado, não contestar, ser obediente e manter sempre o sorriso quando diante do rei.
Ué, por que essa cara? São coisas diferentes. (Já tenho minhas dúvidas se você deve continuar...) Não quero lhe deixar desconfortável – não me entenda mal – apenas quero garantir o cumprimento das regras. Não, não acho que sejam coisas mutuamente exclusivas, você manter sua individualidade e seguir a minha pauta. Bem, voce é muito intrigante e vivo, mas me permitiria, porém, prosseguir com minha exposição?
Pois bem, retomando... simples assim - é a verdade. É certo que, apesar de tudo, há quem diga que não dá pra viver sem certezas. É errado achar que todas são ruas sem saída, levando a Lugar Algum - quem pode ter certeza ? Lugar Algum, aliás, é ainda um lugar... (mas não vou comentar a respeito neste espaço, correm boatos de que a a densidade demográfica tem aumentado descontroladamente, e não dificilmente se encontra mais algum lugar que preste em Lugar Algum.)
Nao se faça de desentendido - entre certo e errado, você entendeu. Entendeu que tem que ficar com um deles, ora essa! Que tem que fazer uma escolha. E tem que escolher bem! Não vá me escolher nada de que vá se arrepender, depois voltar atrás... ficar cabisbaixo, resmungando "eu ja devia saber..." Tens que ter certeza, meu caro. Ninguém falou que era fácil. Se assim fosse, é certo que todo mundo a procuraria...
As certezas têm um jeito engraçado de ser. Certeza que é certeza sempre promove a si mesmo como sendo a tal, a única entre todas as outras - mas não demora muito e a convivência começa a revelar que, em seu íntimo, ela abriga mais perguntas que respostas. E sua pose de valor absoluto, imutável e irrefutável? Mornarca dono de seu trono por direito divino ! E vai retrucar... está certo que quem cala consente, mas não é errado... pela falta de recursos - aceitar ? Não sejamos complacentes. Uma coisa é o direito divino, outra coisa é direito advindo. Não façamos caso, pois não existe acaso. E caso fosse assim, não seria esse o caso! Que mania de complicar tudo que tem o cidadão, Deus meu...
Uma vez a Certeza me revelou que cada uma das suas guarda uma nova pergunta. Perguntei se era uma pergunta relacionada à resposta da pergunta a qual ela se prestava a responder, a priori - ao que perguntou "e voce achou que era só isso?" Perguntei se existe a possibilidade de existir alguma coisa como a última da hierarquia, a mãe de todas as outras - ao que indagou, com indiferença: "me diz uma coisa: o que é que você quer tanto saber?!"
E de Certeza em Certeza a gente vai se certificando - de que, nessa viagem, o destino de um trem é ponto de baldeação para outro. Entre o certo e o errado, a gente senta e espera um novo trem. Entre o certo e o incerto, existe ainda o porém (e não se esqueçam, fazendo-me o favor, do vão entre o trem a plataforma!)
A gente têm muita certeza nessa vida. E quanta gente será que a Certeza já têm?
Quer saber de uma coisa, já estou farto desse negócio. E daí ? No final das contas, as certezas mudam, sim - mas o que conta é que nós sempre estivemos certos. É ou não é ?
